Engenheiros das Palavras


Engenhar significa “criar, inventar, construir” e é isso que fazemos a todo o momento em que usamos a língua para nos comunicar. Estamos construindo frases, criando sentenças inéditas e (re)inventando textos. Mas não somente isso, quando falamos, natural e inconscientemente  nós somos engenheiros da língua, a modificamos e aos poucos traçamos novas regras que com o tempo são reconhecidas socialmente. Dessa forma, criamos jargões, gírias, piadas internas, expressões idiomáticas, bordões e slogans. Já com a parte ferina dela nós espalhamos o fel,   brigamos, falamos mal dos outros, somos intolerantes e cruéis, apenas uma palavra agressiva e uma capacidade imensa de magoar…   Assim como na outra face, nós usamos de suas delicadezas e doçuras para nos declarar, acalentar e falar de coisas belas.

 A língua vernácula que aprendemos no berço e a qual muitos não dão valor, tão simples e acessível ela se mostra, é na verdade uma composição complicada,  tal qual uma simples página intuitiva da internet  que esconde códigos complexos, a língua esconde sua estrutura magnífica. Poucos são interessados em decodificá-la, alguns preferem ficar na superfície e ter sua construção pronta. Mas se a intenção é usá-la na sua magnitude e fazer dela um instrumento de poder e grandeza é necessário ir mais ao fundo. Mas já lhes garanto uma coisa, eis que é impossível esgotá-la, uns Camões e outros tantos já nos deram exemplos dessa perfeição, mas sempre será possível engenhar com ela coisas totalmente inéditas.

Esse é o meu convite, viajar comigo pelo mundo das palavras e descobrir nelas um conhecimento irresistível. E se de palavras que são explicitadas as idéias e os pensamentos aqui será o palco de debates de vários assuntos que enriqueçam essa aprendizagem. Essa é uma ferramenta de expressão e discussão, todas as opiniões serão bem vindas, sempre que forem expostas com respeito e tolerância.

 Por: Juline dos Santos